UM FIO DE ESPERANÇA!

BLOG DE WILLIAM SANTOS | 4/24/2012 09:25:00 PM | 0 comentários


O país parou, a fim de ver com olhar incrédulo, mais que um debate entre pessoas que não se respeitam. A derradeira instância da justiça brasileira abriu página enxovalhada da sua história de poder supremo entre todas as instâncias de julgamento.
Transbordando os limites do princípio do respeito à convivência funcional, dois ministros do Supremo Tribunal Federal desencadearam troca de impropérios e agressões como se fosse um rela bucho de comadres ensandecidas.
Deixando a Presidência do Supremo, ministro Cezar Peluso, em tempo de despedidas, sem parcimônias, comentou que seu colega Joaquim Barbosa adotava um “comportamento difícil” além de ser “uma pessoa insegura, se defende pela insegurança”. E concluiu asseverando: “E aí ele reage violentamente”.
Na sua imediata réplica, Barbosa abandonou o tratamento formal de “vossa excelência”, para baixar o nível utilizando adjetivos tais como: “brega”, “ridículo”, “caipira”, “corporativo”, “pequeno”, “desleal” e “tirano”.
O ponto nevrálgico da acusação, ou do “veredictum” do ministro Joaquim Barbosa, cobriu o STF, o mundo jurídico e o povo em geral, de inimagináveis suspeitas, agredindo seu colega ministro Cezar Peluso admitindo que, “inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais”.
Faltou pouco para às vias de fato!
Sobrou para o novel presidente da Corte Suprema, ministro Ayres Britto juntar os cacos e, logo ao primeiro dia de mandato, chamar o feito à ordem em sessão reservada, para pôr panos mornos no mais grave escândalo público nas hostes da mais alta corte de justiça do Brasil.
Ayres Britto, em sua fala de abertura sobre a crise plantada no início da sua administração foi taxativo ao dizer com toda força: “É impossível manipular resultado!” Numa referência direta à acusação de Joaquim Barbosa. E concluiu Ayres Britto: “Manipulação nunca houve, nunca vai haver no Supremo. Se contrapõe à lógica de um julgamento colegiado”.
Também a suposição de que haja racismo na Suprema Corte brasileira, o novo presidente foi taxativo: “Racismo? Nunca vi isso aqui. Nós somos contra o racismo por dever, porque o racismo é proibido pela Constituição, é criminalizado”.
É possível que, aparentemente, a temperatura no STF tenha baixado para as próximas sessões, mas a meta inicial de Ayres Brito, é o polêmico julgamento do famigerado processo do “mensalão” envolvendo figuras importantes da república.
Têm sido acaloradas as discussões em processos complexos, e o “mensalão” não será diferente, até porque, existe com nitidez um ingrediente explosivo que são os políticos envolvidos, de forma escancarada.
Ninguém esquece as provocações e desaforos perpetrados publicamente contra sua pessoa!
O funcionamento e o equilíbrio pessoal dos integrantes do STF está por um fio de esperança. E todo o país torce, ardorosamente, para que a paz volte a pairar entre os homens de boa vontade.

MARCOS SOUTO MAIOR 
Advogado e desembargador aposentado

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